Em reação às 130 demissões anunciadas no dia seis, cerca de 800 funcionários da Volkswagen, em São Bernardo do Campo (SP), saíram ontem pela manhã em passeata pelo interior da empresa quebrando o que encontravam pela frente. Segundo balanço da Autolatina ("holding" da Ford- Volkswagen), foram furados com estiletes 50 pneus de automóveis, três carretas de transporte de material foram viradas, além de destruídos os nove quadros de aviso onde estavam as listas de demissão, danificação de veículos, telefones, vidros, máquinas de escrever e terminais de vídeo. No final da tarde, a Autolatina determinou mais 130 demissões-- 110 na Volkswagen e 30 na Ford. Não houve repressão ao quebra-quebra e a Autolatina registrou queixa no 3o. Distrito Policial. Para o presidente do sindicato da categoria, Humberto Domingos, o que houve foi uma "reação espontânea dos trabalhadores", motivada pela "radicalização da empresa", que demitiu o sindicalista Eronildes Francisco da Cruz. Eronildes foi um dos metalúrgicos feridos a bala no confronto do dia cinco com a polícia. Após 20 dias de greve, já são 2.020 os metalúrgicos demitidos em todo o ABC paulista. As montadoras, que só começaram a demitir há quatro dias, registram 350 dispensas, todas por justa causa. Ontem, não houve acordo na reunião entre representantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) para tentar por fim às greves (FSP) (O ESP).