O governador Fernando Collor de Mello renuncia ao governo de Alagoas no próximo dia 14. Ele vai disputar a Presidência da República pelo PRN (Partido da Reconstrução Nacional) sob a suspeita, levantada pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado), de ter firmado um acordo considerado lesivo ao estado para pagar uma dívida de US$56 milhões (NCz$68,4 milhões) a usineiros. O pagamento vem provocando queda na receita do estado. O acordo será examinado e julgado pelo TCE a partir do próximo dia nove. O empréstimo não é o único problema que Fernando Collor de Mello deixa ao sucessor. O salário do funcionalismo estadual de março só foi pago a quem ganha até cinco salários-mínimos. Os professores públicos alagoanos estão em greve há 34 dias e os funcionários da área de saúde há nove. Eles querem o cumprimento do decreto-lei sancionado pelo próprio governador que concede aumentos trimestrais. Além de dívidas e greves, seu substituto, o vice-governador Moacir Andrade (também do PRN) herdará apenas duas obras prontas, as únicas realizações de Fernando Collor de Mello em dois anos de governo: a construção de 2.578 casas populares que inundam com as chuvas e que foram projetadas para ter apenas um banheiro público para cada um dos 23 blocos habitacionais; e um emissário submarino de 3,5 quilômetros que vem sendo construído há 10 anos e atenderá a 20% da produção da capital Maceió. Para fazer frente aos gastos com salários atrasados e as dívidas estaduais, Fernando Collor de Mello pediu um empréstimo ao Banco Mercantil de Crédito (BMC), em forma de adiantamento de receita, de NCz$7 milhões, que será pago em 10 meses e custará, no final, com juros e correção, NCz$33 milhões. Parte dos encargos do estado vêm dos erros que Fernando Collor de Mello cometeu nos decretos com que pretendia combater os chamados marajás, os funcionários públicos que ganham altos salários e que no final do seu governo estarão ganhando ainda mais do que antes (FSP).