SECRETÁRIO ACUSA ANTECESSOR DE DESVIO DE VERBAS NA PREFEITURA

O secretário de Desenvolvimento Social do Município do Rio de Janeiro, Pedro Porfírio, encaminhou ontem ao prefeito Marcello Alencar (PDT) relatório onde aponta uma série de irregularidades de seu antecessor, Sérgio Andréa (que ocupou a pasta de julho de 1987 a dezembro de 1988), e dos assessores, entre eles César Queiroz Benjamim e Luís Antônio Elias, ex-diretor do Fundo Rio. Se comprovadas todas as acusações, eles poderão ser enquadrados em artigos do Código Penal que tratam de desvio de verbas e apropriação de bens públicos. Além de contratar parentes de forma ilegal, como a cunhada Marluza Corrêa Araújo, o ex-secretário levou para a Secretaria todo um grupo: Jane Souto de Oliveira para ser sua assessora direta; Tânia Coelho, assessora de Comunicação Social; Luís Carlos Cardoso, diretor de suprimentos; Raimundo Teixeira Mendes, assessor jurídico; e Ricardo Bielscowsky, diretor do Fundo Rio. A` exceção dos dois últimos, todos os demais eram filiados ao PT (Partido dos Trabalhadores). Um dos delitos praticados por Sérgio Andréa, segundo seu sucessor, foi o desvio de parte das verbas provenientes de convênios com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e a LBA (Legião Brasileira de Assistência). Ele deveria investir NCz$300 mil em saneamento básico e na construção de casas para desabrigados mas aplicou o dinheiro no "open", segundo a denúncia. A acusação mais grave que o atual secretário faz contra Sérgio Andréa, no entanto, é a de ter aberto caixa-dois no Fundo Rio em conta no BANERJ (Banco do Estado do Rio de Janeiro), para onde desviaram três depósitos, totalizando cerca de Cz$57 milhões (antigos). "Com esses dinheiro eram pagos os salários do grupo", acusa Pedro Porfírio, afirmando que "em nenhum momento da crise municipal" Sérgio Andréa e seus assessores ficaram sem receber. O ex-secretário de Desenvolvimento Social, Sérgio Andréa, considera ridículas as acusações do atual secretário, Pedro Porfírio. Ele disse que irá interpelar judicialmente Pedro Porfírio para que confirme diante do juiz as declarações feitas à imprensa. As denúncias serão encaminhadas à Procuradoria Geral do Município do Rio de Janeiro, a quem cabe tomar as medidas judiciais (JB) (O Globo) (O Dia).