Os ministros militares passaram um recado claro ao presidente José Sarney nas duas reuniões que fizeram nos últimos dois dias com o presidente da República: o governo tem que se articular para garantir a aprovação pelo Congresso Nacional da medida provisória no. 50, que dispõe sobre o exercício do direito de greve assegurado pela Constituição. A preocupação básica dos militares é com a reação contrária à medida, instrumento que consideram suficiente para reestabelecer a autoridade do governo. A situação está muito crítica e a lei e a ordem têm que ser
21359 obedecidas, disse o ministro-chefe do EMFA (Estado-Maior das Forças Armadas), almirante Walbert Lisieux Medeiros Figueiredo. Nos dois encontros que mantiveram com o presidente José Sarney, os ministros militares reafirmaram a tese de que o governo precisa reaver a autoridade no tratamento das greves e exigiram providências a respeito das declarações estimulando a desobediência civil feitas pelo presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Jair Meneghelli. A insatisfação salarial das Forças Armadas também foi assunto discutido durante os encontros: "Como pode um capitão do Exército receber menos que um contínuo do Banco Central?", indagou um dos ministros presentes. Os ministros militares também pediram ao presidente José Sarney a equiparação salarial com os ministros do STM (Supremo Tribunal Militar). O presidente José Sarney pediu ao consultor-geral da República, Saulo Ramos, que estude o assunto (JB).