Exatamente nove horas e 20 minutos depois de ter sido inaugurado, como parte das comemorações do dia 1o. de Maio, foi destruído por uma bomba, na madrugada de ontem, o munumento que, erguido na praça principal de Volta Redonda (RJ), homenageava os três operários mortos durante a repressão militar à greve de novembro passado na CSN (Companhia Siderúrgica Nacional)-- o "Memorial 9 de Novembro". A explosão, violenta a ponto de ter reduzido a estilhaços os vidros dos prédios situados num raio de 300 metros, ocorreu às três horas e vinte minutos, segundo testemunhas. Não houve vítimas, mas, sob o impacto, até as portas do edifício da CSN, situado na praça, foram arrancadas ou ficaram empenadas. As mesmas mãos que fizeram o Riocentro detonaram esta bomba, disse o advogado do Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda, João Campanário. Projetado por Oscar Niemeyer, e construído pelo Sindicato dos Metalúrgicos em um mês, a um custo de NCz$69 mil, o monumento, de 15 toneladas e seis metros de altura, foi decepado em sua base e tombou sobre o espelho de água sobre o qual se erguia. Ficou soterrada a inscrição onde se liam os nomes dos três operários homenageados-- William, Valmir e Barroso. Segundo as primeiras investigações, a bomba foi elaborada com um explosivo plástico e, de acordo com o perito Sérgio Leite, do Instituto Carlos Éboli, é obra "de profissionais". Uma segunda bomba, não detonada, foi encontrada horas depois no espelho de água dentro de uma mochila verde. De acordo com o perito, a bomba foi colocada previamente, e de maneira muito planejada-- exatamente, na base do monumento. Com isso estaria afastada uma outra hipótese levantada no curso das investigações-- a de que o explosivo teria sido jogado de um automóvel. Ao saber do atentado, o presidente José Sarney limitou-se apenas a considerar o episódio "profundamente lamentável". O ministro da Justiça, Oscar Dias Corrêa, disse que a participação da Polícia Federal no episódio ficará restrita a ajudar a polícia fluminense, que é a responsável pelas investigações. O ministro do Exército, general Leônidas Pires Gonçalves, responsabilizou a "direita radical" pelo atentado. Para ele, a explosão foi uma reação "ao comportamento radical de segmentos que se negam a obedecer a lei e a ordem". O general mostrou-se irritado ao ser informado, pelos jornalistas, das suspeitas do presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Jair Meneghelli-- quem inaugurou o monumento--, sobre um possível envolvimento de agentes do Exército no atentado. "Se Meneghelli tiver dito isso realmente, vou responsabilizá-lo na Justiça", afirmou o ministro. A "Rádio Globo" e a "TV Globo", no Rio de Janeiro, receberam ontem pela manhã telefonema de um homem que, após se identificar como membro da Falange Patriótica 64, afirmou que o grupo foi responsável pela explosão da bomba que destruiu o memorial. O fundador e ex-líder de uma entidade de mesmo nome, o oficial da Marinha Mercante Zanine Júnior, garantiu que seu grupo não foi o autor do atentado. Zanine Júnior, dirigente do ainda não legalizado Partido Nacional-Socialista (PANASO), de ideologia nazista, defendeu-se: "Deve ser coincidência ou alguém que está querendo nos prejudicar". Em Brasília, o general da reserva do Exército, Newton Cruz, ficou feliz com a explosão: "Estou aplaudindo a ação, e nem quero saber se foi um atentado praticado por militares ou pela esquerda, para colocar a culpa na direita". "Quem destruiu o monumento fez muito bem, porque ele era uma ofensa às Forças Armadas", disse ele. Em assembléia, os metalúrgicos de Volta Redonda decidiram deixar o monumento destruído exatamente como está. Assim, ficará também como lembrança do atentado. Paralelamente, será erguido um outro monumento em homenagem aos mortos da greve, igualmente de autoria de Oscar Niemeyer (JB) (O ESP) (FSP) (O Globo) (O Dia).