Um grande número de menores de rua recolhidos à FUNABEM (Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor) está contaminado com o vírus da AIDS (Síndrome de Imunodeficiência Adquirida). Nos testes realizados até agora, já foram registrados 68 casos, sendo que 18 durante esses primeiros meses do ano, o que representa uma média de cinco crianças infectadas por mês. Desse total, 66 menores foram mandados para a rua enquanto a doença não se manifesta, para evitar a propagação do vírus entre os outros internos. Uma criança já morreu e uma continua internada no Hospital Central da FUNABEM. Segundo um dos coordenadores do grupo de estudos, o médico Mauro Werneck, da FUNABEM, a situação pode se tornar ainda mais grave, porque foram suspensos os testes obrigatórios em todas as crianças que eram levadas para os institutos de menores. Com isso, muitas delas podem estar dando entrada nestes institutos, infectadas e espalhando a doença para o resto dos internos. Estes dados foram divulgados recentemente, em Brasília, pelo diretor do Hospital da FUNABEM, Carlos Vasconcelos Carvalho. No Rio de Janeiro, a direção da ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS) condenou as informações, afirmando que a FUNABEM está realizando uma política hipócrita, irresponsável e perigosa, por não tomar para si o tratamento das crianças infectadas, preferindo encaminhá-las para lares alternativos e tornando-se conivente com a discriminação que ocorre em casos desse tipo. Segundo a coordenadora da ABIA, Sílvia Ramos, o diretor do Hospital da FUNABEM feriu as normas elementares da OMS (Organização Mundial de Saúde) ao realizar os testes para a detectação do vírus do forma involuntária, não anônima e sem informar a finalidade do exame de sangue para quem o fez (O Globo).