O Comando Militar do Nordeste está tentando expulsar 1,2 mil famílias que ocupam um terreno de sua propriedade há mais de 40 anos, no distrito de Arassoiaba, em Igarassu, na região metropolitana do Recife (PE), sob alegações de que precisa do local para construir uma escola de sargentos. Para forçar a retirada das famílias, o comando instalou há dois meses uma prefeitura militar na cidade e, em toda a área onde moram as famílias ameaçadas, vem impondo um verdadeiro toque de recolher: proibiu reuniões dos moradores-- menos as religiosas--, não permite que as casas sejam consertadas ou vendidas, e quando uma família viaja, é obrigada a entregar as chaves de sua residência na prefeitura militar, ao tenente Rogério, que atua como "prefeito". As 1,2 mil famílias que hoje estão ameaçadas viviam desde 1946 em nove engenhos em Aldeia, Município de Camaragibe, vizinho ao distrito de Arassoiaba. Os engenhos pertenciam à Companhia de Tecidos Paulista, mas, durante a guerra, foram adquiridas pelo Exército que, na área de 7,5 mil hectares, instalou o Centro de Instrução Marechal Newton Cavalcanti (CIMNC). Em 1975, o Exército começou a transferência e ajudou as famílias: forneceu caminhões para mudança, doou telhas e madeiras para as casas e foram surgindo as vilas Bonsucesso, Dois Unidos e Vila Nova, que hoje ocupam 60 dos 7,5 mil hectares do campo de instrução. Diante da ameaça de expulsão das famílias, o secretário estadual de Habitação, Pedro Eurico de Barros e Silva, foi ao local e prometeu aos moradores pedir ao governador Miguel Arraes (PMDB) que resolva o impasse (JB).