CNI FAZ PLANO DE AÇÃO POLÍTICA

A democracia brasileira está ameaçada, conforme acredita a CNI (Confederação Nacional da Indústria). A preocupação com a "ruptura institucional" é expressa de forma clara no documento "Plano de Ação da CNI para os anos 90", que foi aprovado tanto pelos diretores da entidade quanto pelos presidentes de 11 federações de indústrias. O texto, que procura definir uma estratégia de atuação da confederação para os próximos anos, afirma: "o fortalecimento da classe política e do Poder Legislativo, o avanço do Estado, as preferências estatizantes de grande parte da população, a crise de autoridade, a descrença popular no governo e no próprio empresariado, tudo isso, permeado pela crise econômica, colocará o país diante de soluções eleitorais inéditas que poderão pôr em risco a sobrevivência do regime de livre iniciativa do Brasil". Continua o documento: "Por isso, os novos tempos exigem uma entidade de peso que seja capaz de bloquear racionalmente as aventuras político- institucionais contra a economia de mercado e a própria democracia". Na estratégia traçada pelo setor industrial, são estabelecidas desde tarefas organizacionais-- cuja essência é a modernização, profissionalização e melhora da eficiência das entidades patronais-- até ações de caráter puramente ideológico: "a CNI terá de marcar presença lançando projetos de modo permanente para que o governo, os políticos, a imprensa e a própria opinião pública passem a debater as coisas que nos interessam de perto". Segundo as informações, o documento da CNI ainda está incompleto, e só será concluído até meados de agosto próximo (GM).