Ainda mal-refeita da polêmica que envolve a construção da hidrelétrica Belo Monte (ex-Cararaô), que alagará áreas indígenas no Xingu, a ELETRONORTE já está preparando a abertura de concorrência, até o final de junho, para a construção de outra usina na Amazônia, a Cachoeira Porteira, a ser construída no Município de Oriximiná (norte do Pará), no Rio Trombetas, afluente da margem esquerda do Rio Amazonas. A primeira etapa, a um custo de US$950 milhões, deverá estar pronta em 1996, com capacidade geradora de 700 megawatts. A Cachoeira Porteira, na sua fase inicial, vai alagar 912 quilômetros quadrados de florestas equatoriais densas, inclusive uma parte da reserva biológica do Rio Trombetas. A ELETRONORTE admite que a segunda etapa da hidrelétrica poderá alagar parcialmente também a área indígena Nhamundá-Mapuera. A empresa reconhece ainda que mesmo a primeira etapa da Cachoeira Porteira, apesar de não atingir diretamente terras indígenas, provocará impactos no relacionamento intertribal, envolvendo os 14 povos da área indígena Nhamundá-Mapuera. Acostumados a perambular pela floresta e visitarem-se mutuamente, os povos das duas áreas terão a separá-los um lago de 912 quilômetros quadrados (JB).