GOVERNO DEFINE REPOSIÇÃO SALARIAL ENTRE 11,74% E 13,58%

A falta de um acordo com empresários e trabalhadores levou ontem o governo a decidir repor as perdas salariais provocadas pelo "Plano Verão". A medida provisória autorizando os reajustes entre 11,74% e 13,58%, dependendo da data-base do trabalhador, a partir de 1o. de abril, será assinada hoje ou amanhã pelo presidente José Sarney. A decisão do governo contou com o apoio dos dirigentes da indústria, comércio, agricultura e bancos, reunidos ontem, em Brasília, com a ministra do Trabalho, Dorothea Werneck. A ministra obteve o compromisso dos empresários de que os aumentos salariais não serão repassados aos preços dos produtos e serviços. Mas, em contrapartida, os dirigentes empresariais reivindicaram do governo uma "reciclagem" imediata do plano econômico, com ajustes nos preços, juros e câmbio, conforme informou o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), senador Albano Franco (PMDB/SE). A reposição salarial acordada ontem entre governo e empresários não inclui a recomposição aprovada pelo Congresso Nacional através da lei 7.737 (medida provisória no. 37), num percentual máximo de 7,48%. Na prática, se forem agregados os percentuais do governo e do Congresso, os trabalhadores terão reajustes entre 19,22% e 21,06% (FSP).