MANUTENÇÃO DO LLOYD PODE PREJUDICAR CONSTRUÇÃO NAVAL

Depois de voltar atrás em sua decisão de privatizar ou extinguir a Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro, o governo se vê às voltas com um projeto de lei, de autoria do deputado Vivaldo Barbosa (PDT-RJ), que prevê uma moratória de cinco anos do Lloyd com o Fundo da Marinha Mercante (FMM) e a utilização de parte dos recursos do mesmo fundo como aporte de capital para a empresa. A medida, caso seja aprovada pelo Congresso Nacional, onde tramita no momento, deverá comprometer a concessão de financiamentos pelo FMM a partir do ano que vem. A estimativa é do chefe do Departamento de Construção Naval do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Reginaldo Treigger. O FMM tem US$500 milhões em caixa, quantia suficiente para suprir os financiamentos deste ano. Mas se o governo aprovar a moratória, esses recursos ficarão seriamente comprometidos e a construção naval poderá ser prejudicada, acredita o chefe do BNDES. No último dia sete, o BNDES pagou, com recursos do FMM, uma parcela de US$83 milhões, correspondentes à dívida de US$450 milhões da extinta SUNAMAM (Superintendência Nacional da Marinha Mercante) com o exterior. De acordo com o presidente do Lloyd, Miguel Masella, caso o governo não crie condições para que a empresa possa equacionar sua dívida com a União-- avaliada em US$400 milhões, dos quais US$164 milhões já vencidos--, o plano de saneamento ao qual está sendo submetido o Lloyd não será suficiente para salvá-lo da falência (FSP).