O grupo espiritual "Fluente Luz Universal", que utiliza o chá indígena alucinógeno "Daime" em seus rituais e cujos líderes estão respondendo processo na Justiça do Acre por tráfico de entorpecentes, recebeu na semana passada o apoio do presidente José Sarney para criar, no Amazonas, uma reserva extrativista de borracha e castanha. O presidente designou o presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis, Fernando César Mesquita, para atender à solicitação. De acordo com o projeto do grupo espiritual, a um custo aproximado de US$5 milhões, o plano pretende beneficiar seis mil pessoas em sete comunidades a serem instaladas em 300 mil hectares de Céu do Mapiá, às margens do Rio Inauini, no sul do Amazonas. O grupo deseja implantar a reserva com proteção governamental, assegurando a posse definitiva da área e protegendo-a contra invasores. Em forma de cooperativa, o projeto prevê a modernização da produção de borracha e castanha. A colônia "Cinco Mil", localizada próxima a Rio Branco (AC), que pertence à "Fluente Luz Universal", foi invadida pela Polícia Federal em outubro de 1981. Lá foram descobertos 300 pés de maconha. O líder da seita, Sebastião Mota de Melo, é acusado pelos seguidores ortodoxos da doutrina do "Santo Daime", especialmente os de "Centro de Iluminação Cristã Luz Universal", de Rio Branco, de ter incorporado drogas como a maconha e a cocaína em seus hábitos (O ESP).