O secretário de segurança do Acre, Lourival Marques de Oliveira, mantém hoje e amanhã em Cruzeiro do Sul reuniões com representantes de seringalistas (donos de seringais) e seringueiros para arbitrar conflitos entre as duas categorias com relação ao pagamento de renda. A cobrança de renda na economia do extrativismo da borracha foi implantada no século passado como taxa pela instalação de moradia, defumador do látex e a abertura das estradas de seringa na floresta-- serviços que não são prestados há 50 anos. Por cada par de estrada de seringa, cada um com 100 a 150 árvores, os seringalistas ou arrendatários dos seringais exigem o pagamento de 90 kg de borracha por safra. O presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Cruzeiro do Sul, José Saraiva de Freitas, deflagrou no início de abril "uma greve" nos seringais do município "pelo não-pagamento da renda, que não dá nada em troco e é uma forma de escravidão branca". O juiz da vara criminal de Cruzeiro do Sul, Pedrinho Ranzi, pediu que o governo do estado fosse ao município para arbitrar o conflito. "Senão, vai haver muita morte na região", disse. Em 7 de março, no seringal Restauração, o seringalista José da Silva, ao tentar furar com uma tesoura o assessor do Conselho Nacional de Seringueiros, Antônio Macedo, foi atingido com um tiro de revólver no braço. O tiro veio do policial civil Maurício Cordeiro, que acompanha Macedo após a ameaça de morte que sofreu por difundir o não-pagamento da renda (FSP).