TRENS PARAM E CAUSAM "QUEBRA-QUEBRA" NO RIO DE JANEIRO

A greve deflagrada pelos maquinistas às 17 horas e 15 minutos, quando cerca de 40 mil passageiros esperavam para embarcar em 10 trens na estação D. Pedro II da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, resultou ontem num quebra-quebra onde oito pessoas ficaram feridas a bala-- uma foi internada em coma-- e outras 24 a pedradas e cassetetes. Pelo menos 12 ônibus foram destruídos na vizinhança da gare, que ficou sitiada pelo povo por mais de quatro horas. Durante todo o dia os maquinistas fizeram uma "operação-tartaruga" reivindicando melhores salários e a implantação do turno de seis horas, e às 17 horas o maquinista Jorge da Cunha, 30 anos, sete de CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos), recusou-se a sair com um trem que estava com o velocímetro quebrado. Foi afastado da escala e recebeu uma punição branda mas 15 minutos depois todos os maquinistas resolveram parar em solidariedade ao colega punido. Os passageiros foram avisados pelo alto-falante e a confusão começou. Revoltados, os passageiros começaram a atirar pedras nos guichês da estação e os guardas ferroviários reagiram a bala. Um Batalhão de Choque da Polícia Militar também investiu contra os populares com cassetetes e bombas de gás lacrimogêneo. Cerca de 30 pessoas foram detidas pela PM. Os ferroviários prometeram acompanhar o inquérito administrativo instaurado contra o maquinista, prosseguindo com a "greve" branca, quando se recusarão a sair com o trem caso este apresente qualquer problema mecânico (JB) (O Globo).