A 6a. Reunião Ministerial sobre o Meio Ambiente na América Latina e no Caribe foi aberta ontem, em Brasília, num clima de constrangimento diplomático. O presidente José Sarney, que em seu discurso voltou a responsabilizar os países ricos pela degradação ambiental do planeta, considerou "péssimo" e Inadequado" o pronunciamento enviado à reunião pelo diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Mostafa Tolba. Na mensagem aos participantes do encontro, lida por seu representante Genady Golubev, o diretor do PNUMA disse que os países da América Latina e do Caribe têm razão em resistir à ingerência externa em seus assuntos ambientais, mas "não deveriam ser menos hostis", diante dos que, internamente, exploram "sensibilidades nacionais" para justificar a dilapidação dos recursos naturais. Ele propôs a adoção de um plano de ação regional que incluiria "as chamadas trocas de dívida pela natureza". A mensagem repercutiu mal no Itamaraty, onde seu tom foi considerado por alguns diplomatas Impositivo" e, portanto, inconveniente a uma instituição multilateral como o PNUMA. Na opinião do presidente José Sarney, existe uma tentativa de se "colocar a questão ambiental como cabeça-de-ponta para interferir nos negócios internos do Brasil". Ele reafirmou que o país não aceita "nenhuma condicionalidade a qualquer tipo de ajuda que represente um arranhão à nossa soberania". O presidente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Enrique Iglesias, também presente à reunião, disse que "dívida é dívida, meio ambiente é meio ambiente e cada um requer soluções específicas". Ele afirmou, ainda, que "se propostas como a da conversão da dívida coincidirem com os interesses nacionais, podem ser analisados, caso contrário, são inaceitáveis" (FSP) (O Globo).