O antropólogo Alfredo Wagner, convidado especial do 2o. Encontro Nacional dos Seringueiros, disse que somente o Exército tem nove milhões de hectares de terras no Pará e que o único interlocutor para a questão ambiental no Brasil é a Secretaria de Assessoria de Defesa Nacional. Segundo ele, a Forças Armadas controlam tudo, desde a análise das informações do satélite até a construção de pequenas estradas vicinais, dentro do contexto do projeto Calha Norte. O encontro dos seringueiros, em Rio Branco (AC), está ocorrendo simultaneamente ao 1o. Encontro dos Povos da Floresta. O antropólogo disse, ainda, que parte da verba do projeto Calha Norte foi retirada de recursos do Pró-Terra, enfatizando que a opção do governo foi o esvaziamento do processo de reforma agrária, acompanhado de uma crescente militarização no enfoque da questão da terra e do meio ambiente. Os organizadores do 1o. Encontro encaminharam ao representante da Procuradoria-Geral da República, presente à reunião, Carlos Eduardo, um documento denunciando desmatamentos, caça e pesca predatória nas reservas extrativistas e indígenas praticadas por empresas madeireiras (FSP) (JB).