SODRÉ QUERIA NEGOCIAR DÍVIDA E ECOLOGIA

Há três meses, quando a discussão sobre a preservação do meio ambiente no Brasil floresceu como um assunto mundial, em consequência do assassinato do ecologista "Chico Mendes", as autoridades brasileiras resolveram partir para o contra-ataque e passaram a condenar qualquer tipo de proposta que pudesse levar à chamada internacionalização Amazônia. No entanto, sabe-se que a primeira proposta oficial a respeito da participação de entidades estrangeiras no controle da Amazônia partiu do próprio governo. O autor de um pioneiro projeto nessa direção foi o ministro das Relações Exteriores, Abreu Sodré, que no início de janeiro apresentou a uma platéia de congressistas norte-americanos a sua idéia de criar uma reserva ecológica na Amazônia, numa área de 10 milhões de hectares. Em troca, o Brasil seria aquinhoado com um desconto de US$1 bilhão em sua dívida externa. O projeto contemplava ainda uma série de outros detalhes. O ministro sugeriu, por exemplo, que fosse criada uma fundação de caráter privado, a ser administrada por brasileiros e representantes de outros países. A fundação contaria com o apoio técnico de 100 ecologistas treinados, além de guardas florestais, que poderiam cuidar da ecologia amazônica com o auxílio de dois ou três helicópteros. A sugestão do chanceler brasileiro foi recebida com entusiasmo pela delegação de parlamentares norte-americanos e chegou a ser saudada pelo senador Timothy Wirth, do Colorado com o nome de "Plano Sodré". Logo após o encontro com Sodré, em uma audiência com o presidente José Sarney no Palácio do Planalto, Wirth e seus colegas ouviram uma conversa bem diferente. Sarney devastou a proposta de seu chanceler e fez questão de deixar bem claro que o "Plano Sodré" não passava de um projeto improvisado por seu ministro das Relações Exteriores, sem a menor relação com a posição do governo a respeito (revista Veja no.13).