O salário médio da mulher correspondia quase à metade (52%) do que era pago ao homem em 1987, quando a força de trabalho feminina atingiu 34,7% do total de pessoas ocupadas no país. Os números foram divulgados esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), feita ano retrasado. Segundo a pesquisa, a igualdade de remuneração só existe nas faixas salariais mais baixas. Os melhores salários-- acima de 20 pisos-- são privilégio quase que exclusivo dos homens. Essa é a primeira vez que o IBGE calcula o salário médio da mulher brasileira dentro da força de trabalho do país. Até 1986, as estatísticas só apontavam qual era o rendimento feminino dentro do universo da população economicamente ativa que, em 1987, de acordo com a pesquisa, chegava a 104,311 milhões. O número de pessoas efetivamente ocupadas, no entanto, representava a metade-- 57,409 milhões--, e 19,851 milhões eram mulheres. A PNAD detectou que, em comparação ao salário masculino, a mulher ganhava menos na região sul. No sudeste, essa relação se altera ligeiramente: a mulher recebe em média 51,5% da remuneração masculina. No nordeste, norte e centro-oeste brasileiros, onde se concentra a massa de trabalhadores com salários menores, a média salarial da mulher melhora: seus rendimentos chegam a 56%, 56,2% e 59%, respectivamente, do que recebem os homens. No nordeste, cerca de 70% das pessoas ocupadas (em torno de 10 milhões dos 15,2 milhões de trabalhadores) recebiam até dois pisos salariais em 1987. Os homens que recebiam até meio piso representavam 15% da força de trabalho, mas as mulheres nessa faixa salarial correspondiam a cerca de 40% do total da força feminina. Existiam 116,8 mil homens com remuneração acima de 20 pisos salariais e somente 18,9 mil mulheres ganhando além dessa faixa. Na região sudeste, onde se concentra quase a metade (26,484 milhões) das pessoas ocupadas no país, a proporção das diferenças salariais entre homens e mulheres não difere de outras regiões. Havia cerca de 11 milhões de pessoas ocupadas ganhando até dois pisos, quase oito milhões recebendo entre dois e cinco pisos e sete milhões na faixa de cinco a dez pisos, 1,5 milhão com dez a 20 pisos e 753,4 mil com rendimentos acima dessa última. A força de traballho masculina (8,7 milhões dos 17,2 milhões ocupados) estava concentrada no segmento de dois a dez pisos salariais. Mas a maior parte das mulheres (cerca de cinco milhões das 9,2 milhões ocupadas) recebia até dois pisos. Acima de 20 salários ganhavam 673,2 mil homens e somente 80,1 mil mulheres. Na média salarial entre todas as faixas, o salário masculino correspondia a Cz$12,1 mil, e o feminino, a Cz$6.274 mil (valores de 1987) (FSP).