O Brasil paga até hoje compromissos externos assumidos no começo deste século que foram renegociados e consolidados 46 anos atrás, sob a orientação do então chanceler Osvaldo Euclides de Souza Aranha. Os compromissos foram contraídos sob a forma de bônus, emitidos antes do Estado Novo, quando os estados e municípios tinham autonomia para buscar recursos externos sem o aval da União e da autorização do Senado Federal. O país entrou em moratória e os bônus foram renegociados em 1943, envolvendo 119,6 milhões de libras esterlinas e US$282,6 milhões. A União assumiu os compromissos dos estados e municípios. Todo mês a Secretaria de Planejamento e Orçamento do Ministério da Fazenda se encarrega de remeter para o Banco N.M. Rotschild & Sons, em Londres (Inglaterra), uma média de 15 mil libras esterlinas, que ficam à disposição dos bancos portadores que ainda conservam esses antigos papéis. "Temos de manter a tradição brasileira de honrar o pagamento dos bônus no exterior", disse o secretário de Planejamento e Orçamento, Paulo Cordeiro. Segundo ele, na última avaliação feita pela Secretaria, alguns meses atrás, o Brasil tinha em conta no Banco Rothschild cerca de 600 mil libras, um saldo que está imobilizado à espera de que os portadores daqueles papéis se apresentem para resgate (GM).