O presidente do Banco Central, Elmo de Araújo Camões, só tem uma certeza em relação à dívida externa brasileira: não dá para prosseguir com a remessa elevada de juros que se praticou no ano passado. Por isso, o Plano Brady, se concretizado, já vem tarde. Camões está esperançoso em reduzir a dívida externa para cerca de US$50 bilhões a partir da nova disposição dos credores internacionais, resumida no programa do secretário do Tesouro dos EUA, e com a volta dos leilões de conversão, além de outros mecanismos de redução da dívida, como a compra dos papéis brasileiros no mercado externo. Para o presidente do BC, reduzir a dívida a US$50 bilhões não seria impossível, e jogar este valor para ser pago em 20 anos, dentro de uma razoável taxa de juros, é perfeitamente aceitável. Dessa forma, o Brasil voltaria à Comunidade Econômica Européia para fazer suas transações e não precisaria forçar o balanço de pagamentos para buscar esse equilíbrio. O que Elmo Camões acha difícil suportar é o montante de juros e amortizações pago nos últimos anos pelo país (JC).