O cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, disse ontem a 800 padres, durante reunião em que a imprensa não teve acesso, que só deixará a Igreja local "se for expulso" e que, com o clero, nunca será derrotado. A reunião foi realizada para analisar a divisão da Arquidiocese de São Paulo-- decretada anteontem pelo papa João Paulo II. Dom Paulo Evaristo Arns considerou autoritária, mas sem autoritarismo, a divisão da sua Arquidiocese, por ter sido feita sem consulta prévia ao clero, como prevê o novo Código de Direito Canônico, de 1983. Em seu discurso, dom Paulo Evaristo Arns se mostrou preocupado com o relacionamento dos novos bispos paulistanos com o governador Orestes Quércia (PMDB) e com os meios de comunicação. Destacou que a atitude da Igreja diante do governador será discutida e planejada por todo o episcopado local, em diálogo sobretudo com o bispo de Campo Limpo, região sul paulistana, dom Emílio Pignoli. O Palácio Bandeirantes, sede do governo paulista, situa-se na área dessa nova diocese. Membros da Pastoral dos Direitos Humanos da Arquidiocese de São Paulo anunciaram um jejum de quatro dias-- de Quarta-Feira Santa ao Domingo de Páscoa-- para protestar contra a divisão feita pelo Vaticano (FSP) (O Globo) (JB).