DEVASTAÇÃO PODERÁ EXTINGUIR MATA ATLÂNTICA DO SUL DA BAHIA

A continuar o ritmo de devastação ocorrido nos últimos anos-- que propiciou a ocorrência do incêndio iniciado há 12 dias e que até hoje destrói o Parque Nacional de Monte Pascoal, em Porto Seguro--, dentro de três anos toda a Mata Atlântica do Sul da Bahia estará extinta. O alerta foi dado pelo diretor de ciências e áreas protegidas da Fundação SOS Mata Atlântica, engenheiro Clayton Ferreira Lima, que visitou, no final de semana, a região do extremo sul do estado afetada por focos de incêndio em centenas de propriedades particulares de diversos municípios. Com base num relatório da Fundação SOS Mata Atlântica, Clayton Lino apresentou dados alarmantes aos participantes de um seminário realizado em Porto Seguro para debater a preservação das reservas ecológicas: no descobrimento do Brasil, 30% do território baiano eram cobertos de Mata Atlântica. Hoje, não passa de 1% do total de 501.206 quilômetros quadrados. No extremo sul da Bahia, há 60 anos existiam 1,5 milhão de hectares de floresta densa, mas hoje a mata está reduzida a 58 mil hectares. A destruição tem ocorrido rapidamente, pois há 17 anos existiam 700 mil hectares, caindo dois anos depois (1974) para 183 mil (JB).