A Brigada Militar do Rio Grande do Sul e os dois mil colonos sem-terra que ocuparam a Fazenda Santa Elmira, em Salto do Jacuí, no último dia nove, entraram em choque ontem, depois que mais de 800 soldados investiram contra o acampamento dos lavradores, para cumprir a ordem judicial de reintegração de possse. Houve tiroteio e 14 colonos e policiais saíram feridos. Foram apreendidas 12 escopetas e 12 revólveres, além de facões, foices e enxadas. Dezessete colonos foram presos. Em Porto Alegre, 400 soldados da Brigada Militar e 50 agentes da Polícia Federal expulsaram da sede do extinto MIRAD (Ministério da Reforma e Desenvolvimento Agrário) os 200 colonos que a ocuparam no dia 10. Pouco antes, os sem-terra haviam libertado os 10 funcionários que mantinham como reféns, ao saberem que a Procuradoria Geral da República no estado havia ordenado a desocupação do prédio. Durante a investida dos policiais, seis colonos foram presos. Os policiais invadiram o acampamento da Fazenda Santa Elmira por volta das 17 horas, após terem jogado, de um avião, bombas de gás lacrimogêneo sobre a mata onde estavam entricheirados os sem-terra. Impedidos de se aproximar, os repórteres ouviram tiros de metralhadora e observaram três ambulâncias retirando feridos. Logo depois, cessaram os tipos e chegou a informação de que os colonos tinham se rendido. O tenente-coronel Cândio Melo Genro, da Brigada Militar, informou que os sem-terra serão levados de volta ao assentamento Rincão do Ivaí, que haviam abandonado para ocupar a fazenda (O Globo).