O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) divulgou ontem, em Washington (EUA), uma nota oficial na qual o seu presidente, Enrique Iglesias, defende que a entidade passe também a ter um "papel ativo" na redução da dívida externa do Terceiro Mundo. "No futuro, penso que os países-membros do BID deverão considerar seriamente a possibilidade da instituição ter um papel ativo nesta mesma área", declarou. A nota do BID foi uma reação ao discurso do secretário do Tesouro norte-americano, Nicholas Brady, anteontem. O secretário reconheceu a necessidade dos países desenvolvidos terem um novo papel na questão da dívida externa. Ele sugeriu inclusive que o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o BIRD (Banco Mundial) reservem partes dos seus recursos à tarefa de reduzir a dívida do Terceiro Mundo. Esta redução seria feita através da compra da dívida dos países no mercado secundário. Neste mercado, a dívida do Terceiro Mundo pode ser comprada com grande desconto. Com a recompra, a dívida seria cancelada. Em Cuidad Guayana (Venezuela), os chanceleres dos países latino-americanos que compõem o "G-8" (grupo formado pelo Brasil, México, Argentina, Venezuela, Colômbia, Peru e Uruguai, com o Panamá suspenso) responderam ao anúncio do "Plano Brady" fazendo a sua própria proposta para a dívida. Eles defenderam que um fundo com capital formado por recursos vindos principalmente dos países industrializados (e, em menor escala, dos em desenvolvimento) compre a dívida da região com base no seu valor no mercado secundário e na capacidade de pagamento dos endividados, mas levando em conta suas "legítimas necessidades de investimento". O acesso ao desconto estaria ligado às reformas que os endividados adotassem para recuperar seu crescimento (FSP).