Mais uma denúncia de corrupção vem atingir o ministro do Desenvolvimento Industrial, Ciência e Tecnologia, Roberto Cardoso Alves: ele tentou, de todas as maneiras, favorecer a empresa Cocam, do grupo Matarazzo, dispensando-a de participar dos leilões de Direitos de Registro de Declaração de Venda (DRDVs) para colocar no mercado internacional o café descafeinado que fabrica. Esse tipo de isenção proporcionaria à Cocam-- a única empresa no Brasil que exporta café sem cafeína--, de acordo com parecer do presidente do IBC (Instituto Brasileiro do Café), Jório Dauster, um benefício de mais de US$5 milhões anuais. Segundo as informações, o ministro Roberto Cardoso Alves vinha insistindo desde novembro do ano passado, junto ao IBC, para que a vantagem foisse concedida à Cocam, mas sempre esbarrou na resistência de Jório Dauster. De acordo com o presidente do IBC, a empresa, ficando livre do ágio médio dos leilões de DRDVs (de 42 dólares, uma espécie de compra de direito para exportar), como forma de estímulo ao seu pioneirismo, seria duplamente beneficiada, uma vez que o café sem cafeína tem um prêmio entre US$30 a US$40 a mais que o café comum no mercado externo. E o preço mínimo de ambos, no Brasil, é o mesmo. Além disso, a cafeína retirada do café industrializado também é comercializada no Brasil e no exterior, adicionando um lucro a mais à Cocam (JB).