Assentados desde novembro de 1988 na gleba Monjolinho, em Campo Grande (MT), de 6.405 hectares, adquirida pela União da RFFSA (Rede Ferroviária Federal S/A), 350 famílias de trabalhadores rurais estão vivendo a experiência amarga da falta de planejamento na execução da reforma agrária no país. A grande maioria deixou outros projetos de colonização, onde eram excedentes mas tinham lavoura e benfeitorias, em troca de uma parcela de 25 hectares numa área sem a mínima estrutura básica, exceto uma estrada de acesso e uma sala de aula improvisada num barracão de lona. A demora por parte do estado e do governo federal na elaboração de projetos e na liberação de recursos estabeleceu uma situação já insuportável: a fome ameaça a maioria das famílias, que não têm de onde tirar o sustento. Ontem, a Delegacia Regional da Secretaria Especial de Assuntos Fundiários, do Ministério da Agricultura, liberou o irrisório credito-alimentício de NCz$31,80 por família, para um mês, e, em vez de amenizar a situação, criou um estado de revolta e de desespero entre os trabalhadores. "Este dinheiro é mesmo que nada", afirmou um dos líderes das famílias, Aparecido Miguel dos Santos, que prevê que a qualquer momento haverá uma grande manifestação "de extremo risco" (JB).