IBC DENUNCIA NOVA OPERAÇÃO IRREGULAR

Em dezembro de 1988, uma empresa de Marília (SP), chamada Keide - Importação e Exportação de Café e Cereais, encaminhou ao ministro do Desenvolvimento Industrial, Ciência e Tecnologia, Roberto Cardoso Alves, uma proposta de padronização dos estoques de 1,5 milhão de sacas de café do IBC (Instituto Brasileiro do Café). Ao preço de 1,5 OTN (Obrigação do Tesouro Nacional) por saca de 60 quilos, a empresa se propunha a padronizar os estoques-- ou seja, separar os tipos de café--, o que geraria um custo de US$15 milhões ao IBC. A diretoria do Instituto se assustou com a proposta defendida pelo ministro Roberto Cardoso Alves. Em primeiro lugar, porque julgava desnecessária a contratação de uma empresa privada para fazer um trabalho para o qual o IBC dispunha de equipamentos adequados. Em segundo, porque a empresa não tem tradição no setor, sendo totalmente desconhecida dos que trabalham na área e, em terceiro, porque julgou o IBC que, se a necessidade do serviço fosse comprovada, deveria ser feita uma licitação pública para escolher a empresa. Pouco tempo depois, o ministro Roberto Cardoso Alves encaminhou outro ofício ao IBC pedindo que apressassem a análise da proposta. Este caso foi tornado público ontem na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados, em Brasília, pelo próprio presidente do IBC, Jório Dauster, que recusou a proposta da empresa de Marília (O Globo).