HIDRELÉTRICA DE XINGÓ ESTÁ PARADA

A maior obra do governo Sarney, a Usina Hidrelétrica do Xingó, no Rio São Francisco, entre os estados de Alagoas e Sergipe, está parada. Mais cara do que a polêmica Ferrovia Norte-Sul, a Usina de Xingó, orçada em US$2,3 bilhões, é bem a imagem da falta de recursos que tem marcado o último ano de mandato do atual presidente: já não se trabalha mais durante as noites nem nos fins de semana, e dois mil operários foram demitidos, ficando apenas 5,2 mil trabalhadores. O canteiro de obras já tem sinais de construções abandonadas: dezenas de caminhões, guindastes, perfuratrizes e tratores estão parados há um mês nos pátios por causa da desativação de algumas obras. A Usina de Xingó, iniciada há dois anos, está sendo tocada hoje com apenas 30% do ritmo previsto inicialmente pela CHESF (Companhia Hidrelétrica do São Francisco). Com a paralisação de algumas obras na usina, a CHESF está tendo um prejuízo mensal de NCz$1,5 milhão, acumulando um débito com as empreiteiras (Mendes Júnior, Constran e CBPO) de NCz$67 milhões, desde o ano passado. Dos NCz$300 milhões previstos para Xingó este ano, NCz$225 milhões serão gastos com pagamento às empreiteiras, e o restante irá para suprimentos. A preocupação da CHESF aumenta diante da falta de recursos de outros órgãos financiadores: BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e BIRD (Banco Mundial). O BNDES se comprometeu a financiar 20% da obra civil de Xingó e o BIRD, US$500 milhões, mas até agora os recursos não foram liberados nem há previsão de quando serão repassados (JB).