A expectativa do governo de reduzir a dívida externa, este ano, de US$114 bilhões para US$111 bilhões, somente se concretizará caso se cumpra a meta de conversão da dívida externa em investimentos de US$2,3 bilhões em 1989. Sem as operações de conversão, é provável que, ao contrário do que vinha sendo registrado nos últimos anos, não haja queda no estoque da dívida, já que o Brasil espera receber esta ano recursos da ordem de US$1,2 bilhão dos bancos credores e US$150 milhões do FMI (Fundo Monetário Internacional), que deveriam ter sido liberados no ano passado. O governo tem que decidir agora se reduz sua dívida externa ou mantém um controle maior sobre a inflação. É que, na avaliação de técnicos do Ministério da Fazenda, os leilões de conversão tiveram um impacto significativo sobre a base monetária (emissão primária de moeda), representando um fator a mais de pressão inflacionária. Por sua vez, técnicos do Banco Central discordam dessa análise. Eles alegam que as conversões não são agentes de pressão sobre a base, porque os cruzados trocados pela dívida do Brasil junto às empresas não foram liberados em sua totalidade. A preocupação do BC é que, como não foram realizados os leilões previstos para janeiro e fevereiro, dificilmente irá se cumprir a meta de conversão de US$2,3 bilhões este ano (JB).