As mudanças na linha pastoral da diocese de Nova Iguaçu (RJ)-- considerada, até agora, um dos espaços mais "progressistas" na Igreja Católica do Brasil-- está provocando uma crise entre o bispo local, dom Adriano Hypólito; setores do clero; religiosos e leigos. A crise começou em junho do ano passado quando dom Adriano recebeu uma carta de advertência do Vaticano, assinada pelo prefeito da Congregação para os Bispos, cardeal Bernardin Gantin. A carta-- considerada "rotineira" por alguns setores do episcopado-- criticava dom Adriano, acusando-o de "fazer demasiadas concessões aos progressistas". Três meses depois, cinco padres (Carlos César dos Santos, Geraldo Lima, Jorge Antônio dos Santos, Mauro Negrette Garcia e Mauro Oliveira) e mais 100 agentes pastorais enviaram carta aos cardeais Gantin e Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, solidarizando-se com o bispo de São Félix do Araguaia (MT), dom Pedro Casaldáliga (também advertido pelo Vaticano). Em novembro do ano passado, dom Adriano criticou o envio da carta aos cardeais e a publicação de uma outra carta que recomendava o voto no PT, nas eleições municipais. Em dezembro, dom Adriano acusou o padre Carlos César de ter vocação para contestar e lhe recomendou que não desse mais entrevistas à imprensa e que interrompesse seus escritos. Dom Adriano anunciou, paralelamente, uma "reorganização" da diocese. Em outro debate, os padres de Nova Iguaçu analisaram a crise e, mesmo sem unanimidade, concluiram que o Vaticano estaria pressionando os bispos em final de mandato-- como é o caso de dom Adriano-- para que os seus sucessores "encontrem as casas (as dioceses) em ordem quando assumirem". Em janeiro deste ano, o pró-vigário geral da diocese, padre Bartolomeu Bergesi, entregou a dom Adriano a sua carta de demissão. Ele disse que fez isto não para se rebelar contra o bispo local, mas contra os que chamou de "verdadeiros inimigos", entre os quais incluiu o cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eugênio Sales, os cardeais Ratzinger e Gantin e, no plano político, o presidente José Sarney e o governador Moreira Franco. Numa reunião do Conselho de Presbíteros (o colegiado de padres que dá assessoria direta ao bispo), na presença de dom Adriano, foram aprovadas várias medidas de "reestruturação" da diocese: mudança no regimento das eleições para cargos diocesanos, a serem realizadas ainda este ano; supressão dos cargos de pró-vigário geral e vice-coordenador da pastoral; exclusão do reitor do seminário das reuniões do Conselho Presbiteral; cancelamento da assembléia diocesana prevista para este ano; substituição, por padres, dos leigos que integram comissões diocesanas e diminuição do número de membros do Conselho de Presbíteros. No final de janeiro, um dos assinantes da carta de protesto enviada ao cardeal Gantin-- o frade franciscano Mauro Negrette Garcia-- foi afastado da diocese de Nova Iguaçu por ordens superiores partidas de sua própria ordem (FSP).