A ministra do Trabalho, Dorothea Werneck, divulgou ontem, em Brasília, pela primeira vez, uma avaliação técnica oficial das perdas-- ou ganhos-- salariais com o "Plano Verão". Segundo o estudo de sua assessoria, dependendo do critério usado para medir o comportamento dos salários e da data de reajuste anual de cada categoria, as perdas em relação à média do ano passado podem variar entre 4,2% e 17,5%. Apenas um dos três métodos usados acusou ganho salarial, de no máximo 7,3% para categorias com data-base em janeiro e de agosto a dezembro. Em todos os métodos, os mais prejudicados foram os trabalhadores com data-base entre fevereiro e junho. O estudo acusa de incorreta a metodologia usada pelo governo na conversão dos salários pela média de 1988, que, na prática, engoliu a inflação verificada em dezembro para efeito do cálculo de salários, roubando um mês, tal como acusam dos sindicatos de trabalhadores de ter sido feito em 1986, com o "Plano Cruzado" (JB).