A economia informal continua a crescer nesta década. O crescimento dessa atividade marginal foi responsável pelo descompasso entre a taxa negativa de 3,2% da produção do parque industrial brasileiro no ano passado e a baixa taxa de desemprego, de apenas 2,92%, a segunda menor dos anos 80. Uma taxa baixa de desemprego, em época de crise econômica, só encontra
19819 explicação na expansão do mercado informal, dizem a economista Shyrlene Ramos e a estatística Marileni Masoldo, do Departamento de Emprego e Rendimento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no Rio de Janeiro. De acordo com pesquisa realizada por elas, dos 16,2 milhões de pessoas ocupadas no país no ano passado, quase seis milhões figuravam na relação de trabalhadores classificados como "conta própria" (autônomos) ou sem carteira assinada. Na avaliação das pesquisadoras, o total de 2,7 milhões de pessoas enquadradas como "conta própria" levantado em dezembro do ano passado é superior ao período idêntico de 1987 e 1986. O "conta própria", segundo o IBGE, é o trabalhador sem vínculo empregatício e que não tem empregado. São, em grande parte, biscateiros, mascates, costureiras, lavadeiras, barraqueiros de praia, engraxates e encanadores. Outro indicador capaz de confirmar a absorção de pessoas ocupadas pela economia informal é a proporção de "conta própria" ou autônomo com rendimento inferior a um piso nacional de salário, que cresceu em 1988 em relação a 1987. Em dezembro último, 15,21% dos 16,2 milhões de pessoas ocupadas estavam nessa situação (GM).