PERDA SALARIAL MÉDIA COM O "PLANO VERÃO" É DE 15%

Ao congelar os salários pela média do salário real do ano passado, o Plano Verão pode ter transformado aquela média no pico deste ano, com uma série de medidas restritivas adotadas com a intenção de derrubar a inflação. A perda atual em relação a 1988, medida pela OTN (Obrigação do Tesouro Nacional), situa-se em torno de 15%-- ou ainda mais, se para a conversão não for utilizado o valor da OTN do início de janeiro, de NCz$6,17, e sim o valor da OTN fiscal na data da decretação do "Plano Verão", de NCz$6,92. Além do congelamento dos salários num patamar inferior à média de 1988, as novas diretrizes da política econômica retiraram o mecanismo de reposição das perdas provocadas pela inflação, representado pela URP (Unidade de Referência de Preços), deixando os salários indefesos contra uma inflação que ainda não deu sinais de estar plenamente controlada. Ao transferir a responsabilidade pela reposição das perdas à livre negociação nas empresas, ao mesmo tempo que cerceia o repasse dos custos para o preço dos produtos, o governo se exime e coloca frente a frente empregados e patrões. No confronto, o normal é que ganhem os sindicatos fortes (Revista Exame no. 4).