O governo brasileiro não abre mão de construir uma usina hidrelétrica a 60 quilômetros de Altamira, cidade cituada na margem esquerda do Rio Xingu, no Oeste do Estado do Pará, de acordo com anúncio feito ontem pelo diretor de planejamento e engenharia da ELETRONORTE, José Antônio Muniz Lopes, durante o 1o. Encontro das Nações Indígenas do Xingu. Ele disse, também, que a usina não se chamará mais Cararaô-- o grito de guerra sagrado e milenar dos índios Caiapós. Os índios presentes ao encontro reagiram: o Caiapó Ute saltou da platéia com a borduna em riste na direção do rosto do diretor da ELETRONORTE. Minutos depois, a índia Tuíra ameaçou Muniz com um terçado-- facão usado por mateiros e pequenos agricultores da Amazônia. As ameaças eram apenas protestos, não resultando em maiores incidentes. O líder Karajá, Itajarruri Karajá, denunciou durante o encontro que FURNAS-Centrais Elétricas está construindo uma hidrelétrica na Serra da Mesa, Município de Cavalcanti e Minçu, em Goiás, dentro da área indígena dos Avá-Canoeiro (reduzidos hoje a 15 membros). Segundo ele, essa área foi interditada em 1985 pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e ainda não foi demarcada. A área total de inundação prevista é de 1.784 quilômetros quadrados. De acordo com o líder indígena, a usina está sendo construída sem a licença de instalação por parte da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, que recusou o primeiro RIMA (Relatório de Impacto Ambiental) apresentado por FURNAS. Em Londres (Inglaterra), ecologistas da organização "Friends of the Earth" ("Amigos da Terra") bloquearam durante meia hora as duas entradas da embaixada do Brasil com uma barricada de tábuas para simbolizar a represa de Cararaô. Os manifestantes exibiam cartazes que diziam "Defenda a floresta amazônica". A polícia interveio e a barricada foi desmantelada (O ESP) (boletim Agen no. 0452) (FSP).