Dos 495 integrantes da Câmara dos Deputados, 193 empregam parentes em seus gabinetes. Há casos grotescos, como o do deputado Mendes Botelho (PTB/SP), que levou toda a família para o aconchego da folha de pagamentos da Câmara-- ali se encontram sua mulher, Diva (salário de NCz$1.176,93), e as três filhas, Morgana (NCz$623,05), Liza (NCz$484,62) e Maitê (NCz$207,69). Igualmente do PTB paulista, o deputado Jayme Paliarin é outro que tem a mulher e três filhos convivendo na folha, embora não exatamente no serviço-- os familiares não se dão ao trabalho de ir a Brasília. A lista dos deputados que empregam parentes, a partir de um estudo da pesquisadora Maria Aparecida de Oliveira, revela que, no campeonato de empreguismo, esquerda e direita estão unidas. Olha-se para a direita e depara-se com casos como o do ex-ministro da Agricultura Alysson Paulinelli, que emprega em seu gabinete de deputado os filhos Rodrigo (salário de NCz$1.176,93), Alexandre (NCz$969,23) e Daniela (NCz$415,38). Olhe-se para a esquerda e se constatará que o presidente nacional do PT, Luís Gushiken, tem a irmã, Regina, empregada (NCz$751,54). No Senado Federal os casos são ainda mais eloquentes, conferindo ao Congresso Nacional a liderança absoluta na corrida do empreguismo e, particularmente, do nepotismo brasileiro. O ex-presidente da Casa, Humberto Lucena (PMDB/PB), tem oito parentes lá empregados-- do filho Humberto á cunhada Esmeralda Jácome de Lucena. O senador Odacir Soares (PFL/RO) tem nove. E Pedro Ceolin, que foi senador e hoje é deputado (PFL/ES), emplacou sete parentes no Senado Federal e três na Câmara dos Deputados, perfazendo o total de 10 (JB).