O governo não corre mais o risco de decretar uma moratória da dívida externa por falta de pagamento dos juros: o Comitê dos Bancos Credores já comunicou a disposição de liberar a parcela de US$600 milhões devida desde o final de 1988, independente da suspensão do desenbolso do BIRD (Banco Mundial). No Ministério da Fazenda, em Brasília, não se sabia, ontem, se a notícia era motivo de comemoração ou não. Se de um lado afasta a iminência da moratória, de outro desfaz um dos poucos instrumentos de pressão do governo brasileiro com o BIRD, que insiste em manter a decisão de não desembolsar o empréstimo de US$500 milhões para o setor elétrico. A comunicação, expressa pelo representante do Comitê dos Bancos, William Rhodres, representa, na verdade, muito mais o desejo dos bancos de garantir o pagamento dos juros devido pelo Brasil e conter a ação de uma possível moratória, do que um mero ato de solidariedade (O Globo).