A Amazônia, apesar de ocupar 60% do território brasileiro, não é tão grande quanto parece. O lago da usina hidrelétrica de Balbina, que começou a gerar energia no último dia 11, tem parte de seus 2,4 mil quilômetros quadrados inundando o território dos vizinhos índios Waimiri-Atroari, cuja lenta decadência começou na década de 70 com a abertura da rodovia BR-174, que corta a reserva ao meio, e a posterior abertura da maior mina de estanho (cassiterita) a céu aberto do mundo, Pitinga, pela Mineração Taboca (leia-se Paranapanema). Havia cerca de dois mil waimiri-atroari na década de 60, antes dos três "grandes projetos". Em 1987 eram 418, segundo o CEDI (Centro Ecumênico de Documentação Indígena). Não faltarão outros exemplos, nos mais de cinco milhões de quilômetros quadrados da Amazônia legal, de populações indígenas presentes ou potencialmente ameaçadas, como a área Yanomani, invadida por 30 mil garimpeiros de ouro, ou os oito povos da nação Caiapó que terão de enfrentar as seis hidrelétricas do Rio Xingu. A chamada "frente extrativista" é a última das frentes de expansão, como as batizou o antropólogo Darcy Ribeiro, um confronto iniciado há cinco séculos e que já resultou no desaparecimento de 4/5 da população indígena pré- colonização. Violento ou não, o contato interétnico costuma terminar em extermínio de indígenas. Na Amazônia, ele começou pelos ocupantes das calhas dos rios, provocando a extinção de organizações políticas supratribais, os "cacicatos", que conglomeravam até 10 mil pessoas nas terras férteis das várzeas. Com a frente extrativista, aberta nos anos 70, é a vez dos índios que ocupam as chamadas terras firmes, agrupamentos menores, adaptados à parca disponibilidade de proteína animal (FSP).