O governo brasileiro está há três anos sem o controle da frota nacional de veículos, estimada em 18 milhões de unidades. Não se sabe quantos são os carros roubados e nem tampouco quantos destes circulam em situação irregular. Desde 1985, quando foi extinta a Taxa Rodoviária Única (TRU), o banco de dados com o cadastro nacional de veículos-- chamado "Projeto Polvo"-- deixou de ser alimentado, facilitando o trânsito de carros roubados e dificultando a cobrança de multas ao nível interestadual. "Só com muita sorte a Polícia Rodoviária Federal consegue deter um carro roubado nas estradas", afirma o coronel Edmar Eudóxio Tolesca, chefe da Divisão de Polícia Rodoviária Federal. Além da desativação do cadastro, a Polícia Rodoviária não dispõe de computadores. As comunicações de roubo de veículos feitas pelas polícias estaduais são repassadas a todos os postos da Polícia Rodoviária, onde são anotadas nos cadernos de registro. "Vinte e quatro horas depois que a ocorrência é registrada ela se perde no tempo e no espaço", admite o coronel. A responsabilidade pela manutenção do cadastro nacional de veículos é do Ministério da Justiça, através do DENATRAN (Departamento Nacional de Trânsito). O diretor da Divisão de Controle e Registro do DENATRAN, Francisco Viera, confirma a paralisação do banco de dados desde 1985 e admite que, desde então, há "um vácuo" em termos de informação sobre a frota nacional de carros (FSP).