FIM DA OTN GERA IMPASSE COM O FMI

O fim da correção monetária oficial, a OTN (Obrigação do Tesouro Nacional), com a implantação do "Plano Verão", trouxe um problema para o governo: o FMI (Fundo Monetário Internacional) não quer mais aceitar o conceito de déficit operacional para as contas públicas. O déficit operacional não computa a correção monetária e cambial da dívida pública e, em 1988, deve ter ficado em 4% do PIB (Produto Interno Bruto). O FMI quer que o Brasil se comprometa a cumprir uma meta de déficit ou superávit primário, que inclui a correção monetária de gastos e receitas, mas exclui os custos de juros da dívida. Em seus acordos com todos os países do mundo, o FMI utiliza o conceito de déficit nominal para avaliar o desempenho de suas economias. Em 1984, abriu uma exceção para o Brasil e passou a considerar as metas de déficit operacional, porque, como a dívida pública e a inflação brasileiras eram muito elevadas, embora o governo tentasse reduzir suas despesas, o resultado era sempre pior do que no ano anterior. Em 1988, o déficit nominal está estimado em 36,6% do PIB e a diferença em relação ao operacional é justamente a correção (JB).