DIEESE DISCORDA DO CÁLCULO OFICIAL DE PERDAS SALARIAIS

Após seis horas de reunião no Ministério do Trabalho, em Brasília, técnicos do governo e do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos) não chegaram a um acordo sobre as perdas provocadas pelo "Plano Verão" nos salários. O governo usou uma metodologia não aceita pelo DIEESE na elaboração do plano, segundo explicou o diretor-técnico do órgão, Walter Barelli. Por isso, enquanto o DIEESE calcula uma perda entre 33% e 44% nos salários, os técnicos do governo defendem o princípio de que o "Plano Verão" resultará em ganhos para o trabalhador, a partir de uma inflação zero em fevereiro. Segundo Walter Barelli, o DIEESE não concorda com o cálculo dos salários de fevereiro pela média de 1988, nem aceita o método usado para calcular o desgate da inflação sobre os salários. O governo fez esse cálculo comparando, por exemplo, a inflação de fevereiro com o salário de janeiro. De acordo com o diretor-técnico do DIEESE, essa metodologia acumulou perdas de até 21% no cálculo da média dos salários e está servindo para fundamentar a tese do governo de que haverá ganho de salários em fevereiro, por causa da inflação baixa. "O governo compara o salário de janeiro, que teve a URP (Unidade de Referência de Preços) de 26,05% com uma inflação estimada em zero para fevereiro e a partir daí conclui que haverá ganho, mas se esquece que a URP está repondo a inflação passada", disse Walter Barelli. Na sua avaliação, o cálculo correto é comparar a inflação e o salário do mesmo mês, metodologia aceita internacionalmente. Outra distorção apontada pelo DIEESE é o uso do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) para calcular a inflação de janeiro que será repassada aos salários. O INPC é um corpo estranho no "Plano Verão", considerou Walter Barelli, lembrando que o programa baseou-se inteiramente no IPC com vetor. O uso do INPC, aprovado pelo Congresso Nacional, foi uma decisão política, que o governo considerou aceitável, na avaliação do economista. Walter Barelli disse que esse índice deve ficar entre 36% e 40% em janeiro, com um resíduo em torno de 11% para fevereiro, "que poderá não ser repassado para os salários" (O Globo).