Todos os empresários que nos últimos dois anos adquiriram empresas estatais do BNDESPar (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social Participações) em leilões públicos foram favorecidos com a extinção da correção monetária embutida no elenco de medidas do "Plano Verão". A troca da OTN (Obrigação do Tesouro Nacional) pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor) nos contratos de financiamento significou um perdão para as dívidas de vários grupos privados, entre os quais o Votorantim, do empresário Antônio Ermírio de Moraes, o Cataguazes Leopoldina, de Ivan Botelho, o Gerdau, de Jorge Gerdau Johanpeter, e o Safra, de Joseph Safra. Ao todo foram beneficiados 12 dos maiores grupos privados nacionais. Só no mês de janeiro, quando se espera a maior taxa mensal de inflação da história brasileira, aqueles empresários pagarão ao BNDES apenas 12,6% de correção monetária (diferença ente 6,92% da última OTN fiscal e 6,17% da OTN de janeiro), muito abaixo dos quase 70% de inflação esperados para este mês. Técnicos do banco consideram impossível saber exatamente o que cada grupo ganhou, mas todos garantem que aqueles empresários fizeram "um excelente negócio" ao participarem do programa do governo para privatizar as estatais controladas pelo BNDESPar (JB).