O PLANO DE VERÃO E O ABASTECIMENTO EM SÃO PAULO

A segunda semana do "Plano Verão" foi marcada pelos primeiros sintomas de desabastecimento, como a cobrança de ágio na venda de carne em São Paulo, falta de óleo de soja nas prateleiras dos supermercados e surgimento dos primeiros carros incompletos nos pátios das indústrias automobilísticas. Estes mesmos problemas, que causaram o descrédito do Plano Cruzado, em 1986, devem agravar-se nos próximos dias, pois os empresários da indústria e do comércio ainda não chegaram a um acordo sobre a fórmula para subtrair a inflação que era embutida nos preços das vendas a prazo. Ao contrário do que aconteceu em 1986, desta vez o desabastecimento é provocado exclusivamente por problemas de preços, pois não há excesso de consumo e nem falta de matérias-primas e produtos acabados. "A inclinação geral do comércio é a de não repor os estoques enquanto existir defasagem de preços, e por isso já começa a faltar produto em alguns segmentos do comércio", disse o presidente da FECESP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), Abram Szajman. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos, Edmundo Klotz, culpa o governo pelo desabastecimento. Segundo ele, o governo tabelou alguns produtos abaixo do custo industrial, o que inviabiliza a sua comercialização (O Globo).