As agulhas contaminadas estão tornando um importante fator de transmissão da AIDS (Síndrome de Imunodeficiência Adquirida) no Estado de São Paulo. Em 1987, a trasmissão sexual foi responsável por 73,5% dos casos. As agulhas contaminadas transmitiram 23,3% dos casos registrados no ano passado; em 1987, o percentual era de 16,7% e, em 1985, de apenas 3,4%. Os primeiros números divulgados pela Vigilância Epidemiológica de AIDS da Secretaria Estadual de Saúde indicam que, em 1988, surgiram 1.296 casos novos da doença no estado e muitos, não computados, ainda estão sob investigação. Com isso, sobe para 3.213 o número de casos notificados no estado desde 1980. Desse total, 76% são consequentes de contaminação durante relações sexuais, 16,1% do uso de drogas injetáveis, 4,4% de transfusão de sangue e 1,4% de trasmissão vertical (de mãe para filho). Em 1988, 68,8% dos casos foram transmitidos sexualmente, 5,8% por transfusão, 23,3% por drogas e 2,1% da mãe para filho. Outra alteração importante é a redução do número de casos de contaminação por relações homossexuais. Entre os casos transmitidos por via sexual em 1987, 65,6% envolviam homossexuais, proporção que, em 1988, caiu para 61,5% (JB).