A fórmula de cálculo da inflação de janeiro, incorporando 54 dias, vai resultar num índice entre 53% e 55%, nos cálculos de assessores da área econômica (ou até maior, podendo chegar a 70%, nos cálculos do ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega). Esse índice vai coletar preços entre 15 de novembro de 1988 e 23 de janeiro de 1989, fazendo com que a inflação de fevereiro, com menos dias e sem a pressão das remarcações pós- congelamento do "Plano Verão", fique mais próxima possível de zero. A crítica que tem sido feita a essa artimanha técnica é que o índice de fevereiro, por construção, será negativo ou zero, conforme determinou o governo ao IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Isso porque a instrução que o órgão recebeu do Ministério do Planejamento é de apurar o vetor (índice que indicará a alteração na metodologia do cálculo da inflação), entre os dias 15 de janeiro e 23 de janeiro, pegando o preço absoluto. Ou seja, o IBGE vai considerar como vetor o maior preço que coletar neste período, para comparar com a média dos preços diários entre 15 de novembro e 15 de dezembro de 1988. Consequentemente, o índice resultante será o maior possível em janeiro, quando ele não é válido para indexar nenhum tipo de correção de preços (O Globo).