JURADOS DE MORTE NO CAMPO VIVEM NA CLANDESTINIDADE

Hoje faz um mês que o líder sindical e ecologista "Chico Mendes" f assassinado na porta de sua casa, em Xapuri (AC), com um tiro de espingarda. Apesar de toda indignação da sociedade e de entidades de direitos humanos e ecologistas de todo o mundo, as autoridades policiais e judiciárias ainda não conseguiram esclarecer o caso e condenar os culpados. Em toda a região amazônica, os herdeiros do trabalho de "Chico Mendes", que lutam pela preservação da floresta ou por um pedaço de terra vivem atormentados com a possibilidade de não viver até o dia seguinte. Essas pessoas são obrigadas a viver praticamente na clandestinidade, sem dormir na mesma casa duas noites, recorrendo a artifícios para se proteger, porque a Justiça brasileira não é capaz de lhes garantir a vida. Segundo as informações, são os seguintes os padres, líderes sindicais e trabalhadores rurais jurados de morte por pistoleiros e grileiros da Amazônia e de outras regiões do norte e nordeste do país: Padre Paulo Joanil-- 39 anos, foi obrigado a abandonar a coordenação da CPT (Comissão Pastoral da Terra) no Tocantins, desde o dia 20 de dezembro passado, e afastou-se também da Diocese de Marabá (PA). Sindicalista Luís Vila Nova (Luís Soares Filho)-- já escapou de três tentativas de assassinato em Imperatriz (MA). Sua casa, de barro, não possui a porta da frente. As entradas são laterais e uma delas disfarçada. Ele não fica mais do que 10 minutos num local e quando viaja (nunca de ônibus) não diz para onde vai. Padre Ricardo Rezende-- no dia cinco de dezembro passado o padre, ao cruzar com um cabo da Polícia Militar numa rua de Conceição do Araguaia (PA), soube que estava jurado de morte. Mas não soube quem quer assassiná-lo. Lavrador Luís Francisco Faria Moura ("Didi")-- um dos fundadores do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Sebastião do Tocantins, "Didi" ficou dois anos (1985 e 1986) sem poder plantar devido a ameaças de morte por sua atuação no Sindicato. Deputado federal Ademir Andrade (PSB/PA)-- está jurado de morte desde 1985. Seu nome constava de uma lista junto com os nomes do deputado estadual Paulo Fontelles (PC do B/PA) e do presidente do Sindicato dos Tabalhadores Rurais de Rio Maria (PA), João Canuto. Os dois já foram assassinados. Frei Henrique de Rosiers-- funcionário da CPT (Comissão Pastoral da Terra) em Gurupi (TO), o frei, um francês de 53 anos, foi jurado de morte pelo advogado Mário Antônio Silva Camargo, integrante da diretoria regional da UDR (UniãO Democrática Ruralista). Manoel da Conceição-- responsável pela formação de lideranças sindicais no Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural (Centru) de Imperatriz (MA), também está jurado de morte. Padre Martinho Murray-- atua na defesa de posseiros em Colinas de Goiás (TO). E foi lá que em 19 de janeiro de 1987 o fazendeiro Luís Spindola Cardoso Júnior o ameaçou de morte. Outras pessoas juradas de morte são: professora Lourdes Lúcia Gói, membro da executiva do PT de Buriti (MA); João Ribeiro Costa ("João Custódio"), presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Sítio Novo de Goiás (TO); e Raimunda Gomes da Silva, secretária do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itaguatins (PA) (JB).