A Anistia Internacional, sediada em Londres (Inglaterra), divulga hoje, em todo o mundo, um relatório sobre a violência nas áreas rurais do Brasil. A entidade afirma que, desde as eleições municipais de novembro, pelo menos 90 pessoas foram mortas na luta pela posse da terra e acusa as autoridades federais e municipais do país de serem negligentes na investigação dos crimes. Juntamente com a publicação do relatório-- Brasil - Alvos Marcados para Assassinato: uma Política de Negligência do
19102 Governo?--, a Anistia Internacional encaminha um apelo ao presidente José Sarney para que seja apurada a suspeita de conluio entre representantes da Justiça e funcionários do governo para dificultar o andamento dos processos. A entidade diz ter provas de que as autoridades municipais não apenas toleram essas violações dos direitos humanos, como também frenquentemente participam de sua execução. A organização sustenta ainda que tem informações segundo as quais menos de 1% de mais de mil assassinatos ocorridos desde 1980 resultou na condenação dos pistoleiros de aluguel ou das pessoas que os contrataram par matar. A Anistia Internacional diz que a maioria desses assassinatos foi levada a cabo por pistoleiros alegadamente contratados individualmente ou através dos sindicatos, por latifundiários. Para a Anistia Internacional, o caso Chico Mendes-- líder sindical e ecologista assassinado em 22 de dezembro passado, em Xapuri (AC)-- é apenas um entre muitos outros que mostram os resultados da "omissão" do governo brasileiro em tomar medidas efetivas para pôr um fim aos assassinatos no campo. A organização diz em seu relatório que até agora não recebeu resposta do governo federal aos seus apelos anteriores para a apuração das responsabilidades nos assassinatos (FSP).