Os aumentos de preços e tarifas públicas praticados no dia 14 de janeiro não serão considerados na correção dos salários. Em janeiro os trabalhadores têm assegurado só o reajuste de 26,05%, igual à URP, mas inferior à inflação plena do mês, se fossem considerados os reajustes. O expurgo fica caracterizado, na medida em que o trabalhador não poderá negociar a diferença na sua data-base, pois o programa proíbe a negociação da inflação anterior a 1o. de fevereiro. O governo não admite que houve expurgo nos salários, argumentando que com a correção pelo salário real médio, houve ganho real para algumas categorias. A explicação oficial é que a retirada dos reajustes foi uma opção técnica do plano. De qualquer maneira, o realinhamento de salários vai provocar perda de 30,13% nas categorias com data-base em fevereiro, que acumulam as maiores perdas no ano. Segundo a fórmula da Medida Provisória, o salário de quem tem data-base nesse mês, que para recompor seu poder de compra deveria ter reajuste de 64,24%, pelo Plano terá só 14,72%. Para recuperar a perda, a categoria teria que ter reajuste de 43%. As categorias com data-base nos meses seguintes também terão perdas salariais, pois seus salários atuais ficarão abaixo do salário médio real de 1988. Segundo Paulo Cesar Moutinho, do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), a perda é notada neste exemplo: quem ganhasse Cz$10.000 em janeiro de 1988 e tivesse sido reajustado até janeiro deste ano (considerando reajuste de 78,5% no acordo salarial de fevereiro de 1988), passando para Cz$129.684, teria salário médio real de Cz$148.784, NCz$148,78. Se tivesse o reajuste necessário de 64,24% para zerar a perda acumulada nos últimos 12 meses iria para Cz$212.993, mas pelo realinhamento seu salário fica em NCz$148,78 (O Globo).