VATICANO COLOCA BISPOS COMO ALVO CENTRAL

A substituição dos teólogos pelos bispos como alvo principal da pressão conservadora na Igreja Católica é um dos dados novos nas tensões internas do catolicismo mundial. Os teólogos da libertação continuam sob vigilância, por parte da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, do Vaticano, mas os setores hegemônicos da Cúria Romana estão empenhados agora em modificar, em benefício de seu modelo de Igreja, a correlação de forças dentro do episcopado. Esta mudança de alvo vem sendo debatida em encontros e reuniões de análise de conjuntura eclesial, no Brasil e na América Latina. Entre os exemplos dessa tendência são citados os relatórios do Vaticano contendo críticas e advertências a bispos (entre os quais vários do Brasil, como é o caso de dom Pedro Casaldáliga) e a tentativa de limitar as atribuições das conferências episcopais. Nas nomeações de bispos, o Vaticano continua dando preferência a sacerdotes considerados "ortodoxos" do ponto de vista doutrinário e disciplinar, de acordo com as concepções dominantes no governo central da Igreja, a partir de 1978, quando João Paulo II assumiu o pontificado. Um rigor ainda maior vem sendo adotado na nomeação de novos cardeais e na escolha de arcebispos para arquidioceses vagas. Entre outros projetos em andamento na retomada do "conservadorismo" na Igreja Católica estão a publicação de um "Catecismo Universal", destinado a toda a Igreja, a redefinição da Identidade" das universidades católicas, o reforço aos movimentos leigos considerados "confiáveis" e a retomada das tradicionais paróquias como centros da vivência católica (FSP).