O mega-projeto de inspiração carismática "Evangelização 2000" e o seu segmento de mídia "Lúmem 2000"-- que pretendem investir US$400 milhões numa cruzada mundial de recristianização, entre os anos 1990 e 2000-- perderam a simpatia do papa João Paulo II. O chefe da Igreja Católica determinou, no final de novembro último, que o escritório central da Evangelização 2000 deixasse o Palazzo Belvedere, no território da cidade-Estado do Vaticano. Paralelamente, proibiu a realização, em 89, também no Vaticano, de um retiro mundial para mil bispos, programado pela mesma organização, com um investimento previsto de US$1 milhão. As decisões do papa já foram comunicadas informalmente a vários cardeais e bispos de todo o mundo, e foram discutidas na reunião que o conselho permanente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) realizou no final de novembro em Brasília. Os bispos verificaram uma série de contradições entre os informes dos dirigentes nacionais da "Evangelização 2000" e os relatos dos prelados de arquidioceses e dioceses onde funcionam unidades desse projeto. As medidas pontifícias ganham maior destaque diante da simpatia que João Paulo II manifestara por essa cruzada, há três anos, quando a idéia foi- lhe apresentada pelos dirigentes da Renovação Carismática Católica e do movimento "Comunhão e Libertação" (que dirige uma corrente própria nna Democracia Cristã italiana). Agora, os folhetos da "Evangelização 2000" não poderão mais apresentar o papa como seu principal apoio ideológico. A mudança de orientação na cúpula da Igreja sobre a nova cruzada e as restrições levantadas por várias conferências episcopais levaram os dirigentes do mega-projeto a desistirem do lançamento dos chamados satélites católicos que seriam colocados em órbita geoestacionária no próximo triênio. A "Escola Nacional de Evangelização" que o "Evangelização 2000" implantou em Goiânia (GO) em 87-- e que foi proibida, na semana passada, pelo arcebispo local, dom Antônio Ribeiro de Oliveira-- funcionará, agora, na diocese de Anápolis (GO), dirigida por dom Manoel Pestana, um dos principais representantes da corrente "conservadora" do episcopado brasileiro (FSP).