O governo autorizou ontem, a transferência de Cz$13 bilhões dos recursos do Fundo de Investimento da Amazônia (FINAM) para o Fundo de Investimento do Nordeste (FINOR), em mais uma manobra para enfraquecer o superintendente da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), Henry Kayath. Este ano, pela primeira vez, o FINAM teve um orçamento maior do que o FINOR-- Cz$73 bilhões contra Cz$67 bilhões--, e o governo ficou de remanejar para o nordeste Cz$22 bilhões do que fora destinado à Amazônia. De acordo com assessores do Palácio do Planalto a redução da transferência foi negociada com o governador do Pará, Hélio Gueiros, padrinho político de Kayath. Em troca, o governador paraense deixaria de exercer pressão sobre o presidente José Sarney, pela manutenção do seu protegido na SUDAM. Desde que acabou a sindicância no órgão, para apurar irregularidades na aplicação dos incentivos fiscais, em agosto, o ministro João Alves vem pedindo a cabeça de Henry Kayath ao presidente da República. Ontem, Kayath assinou uma portaria no "Diário Oficial", o que pode ser um dos seus últimos atos. Assessores do presidente Sarney revelaram que o superintendente da SUDAM não havia sido demitido ainda por força de sua amizade com o governador Hélio Gueiros. O desgaste entre Kayath e o governo chegou ao ponto insustentável depois que foram comprovadas irregularidades na concessão dos incentivos fiscais- =- O que permitiu ao FINOR uma arrecadação Superior à esperada pelos próprios técnicos da Secretaria da Receita Federal (SRF). Atos ilegais constam no resultado da auditoria que foi encaminhado ao Gabinete Civil da Presidência da República (JC).